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quinta-feira, janeiro 29, 2015

Se / If / Si

(...)
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das "cousas"...
(...)

(...)
If I never died! And eternally
Search and reach the perfection of things...
(...)

(...)
Si je ne mourrais, jamais! Et éternellement
Cherchais et réussissais la perfection des choses...
(...)

Cesário Verde, 1855-1886

imagem da net

quarta-feira, abril 02, 2014

Poesia...

“… Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras, não nenhuma mais do que a outra,
mas sempre mais as que estou vendo, do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me, mas não sossego nunca…”

Fernando Pessoa

imagem da internet


 K&H

terça-feira, julho 02, 2013

"Servidões" de Herberto Helder

Já constas na lista de livros a adquirir... talvez em Novembro quando receber o subsídio... a ver vamos!



« como se atira o dardo com o corpo todo,
com a eternidade em não mais que nada,
e depois a abolição do tempo,
e então o que respira no corpo passa à vara,
e o que respira na vara passa depois à ponta,
tu não, tu já respiraste tudo pelo dardo fora,
mudo e cego e surdo,
e és um só ponto do alvo onde respiras todo,
e tudo respira nesse ponto,
em ti, veia da terra, oh
sangue sensível »
H.H., Servidões, 2013


domingo, maio 20, 2012

Queres? (de José Luís Peixoto)

Queres? (No ar, a interrogação vibra como uma onda invisível.)

Queres? (Pelo silêncio, não sei quem és, não sei a razão em mim que te deseja.)

Queres? (É quase de manhã e poderíamos esquecer tudo, fazer as malas, dormir finalmente.)

Queres? (Uma porta talvez aberta para talvez um abismo ou um deus.)

Quero. (Já não podemos fugir aos nossos olhos inimagináveis, inalcançável é o cansaço.)

Quero. (A luz do quarto continua acessa sobre a luz da manhã, tornamo-nos artificiais.)

Quero. (Os nossos corpos, claro, sempre os nossos corpos, sempre apenas os nossos únicos corpos.)

Quero. (Tarde demais.)

José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis.






sábado, junho 18, 2011

"Tarde com sol" de Nuno Júdice

Praia Vale dos Homens. Rogil, Aljezur [Portugal] - Set.'10 de Carlos Nunes

As coisas simples dizem-se depressa; tão depressa
que nem conseguimos que as ouçam. As coisas
simples murmuram-se; um murmúrio
tão baixo que não chega aos ouvidos de ninguém.
As coisas simples escorrem pela prateleira
da loja; tão ao de leve que ninguém
as compra. As coisas simples flutuam com
o vento; tão alto, que não se vêm.



São assim as coisas simples: tão simples
como o sol que bate nos teus olhos, para
que os feches, e as coisas simples passem
como sombra sobre as tuas pálpebras.


Nuno Júdice

sexta-feira, maio 06, 2011

["porque os outros..."]


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.






Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
  
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andersen



"uma flor em Sintra"
Fonte da imagem: Morgaine Wordsworth

quarta-feira, março 30, 2011

Sempre, para Sempre



Música: Ricardo Sotna e Gil do Carmo
Letra: Miguel A. Majer

Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor da pele

Há amor tao longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verao
Amor que rouba
Como um ladrao

Há amor passageiro
Amor nao amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue, bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tao prximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada, mas nada
Te faz contente, me faz contente

Há amor tao fraco
Amor nao assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca, talvez
Amor tao certo
Que acaba de vez

Há amor de certezas
Que nao trara dor
Amor que afinal
amor,
Sem amor
O amor tudo,
Tudo isto
E nada disto
Para tanta gente
acabar de maneira igual

E recomecar
Um amor diferente
Sempre , para sempre
Para sempre

sábado, janeiro 29, 2011

[... na pessoa que és]

"Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica.E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí.

E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. (...)"



segunda-feira, dezembro 13, 2010

Verso e Reverso

...Trago engastado no peito


Um frenesim sem igual


Mescla de amor-perfeito


Com travos a caiena e sal


E na aparente calma


Onde o vulcão silencia


Cedem as vidraças da alma


Escorre a lava da agonia


Em cinzas e lama ardente


No fogo vivo que me consome


Sou, no verso, fera dormente


No reverso, a sede e a fome…



(Maria José Martins)