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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

"Conselho" Fernando Pessoa

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.

Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.

Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és -
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...

sábado, janeiro 30, 2010

Isto mexeu comigo...

(...)



Tu baralhas-me a razão


Invades-me o coração


E eu ando um pouco perdido


Troco tudo por um beijo


Mais vale morder um desejo


Que ter toda a fama do mundo


(...)


Adivinha onde eu cheguei


Desde o tempo em que roubei a tua privacidade


Fiz de ti lírio quebrado


Fera de gesto acossado, vendi a tua ansiedade


(...)


E agora que estamos sós, vamos ser apenas nós


Dar a volta ao argumento


Vamos fugir em segredo


Sumir por entre o enredo, soltar o cabelo ao vento


(...)



(Jorge Palma)
(Carolina Figueiras)