ler coluna de José Manuel dos Santos em: http://aeiou.expresso.pt/o-droguista=f513996
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quinta-feira, maio 21, 2009
O droguista
«O mundo dele morreu, mas ele recusa-se a morrer com ele. Quer ser testemunha muda e implacável daquele crime, daquela usurpação.»
segunda-feira, abril 27, 2009
Hoje minhas divagações são Pessoanas, como não poderiam deixar de ser numa 2ª feira de manhã!
«Encontrei-me neste mundo certo dia, qua não sei qual foi, e até ali, desde que evidentemente nascera, tinha vivido sem sentir.
Se perguntei onde estava, todos me enganaram, e todos se contradiziam.
Se pedi que me dissessem o que faria, todos me falaram falso, e cada um me disse uma coisa sua. Se de não saber, parei no caminho, todos pasmaram que eu não seguisse para onde ninguém sabia o que estava, ou não voltasse para trás - eu, que, desperto na encruzilhada, não sabia de onde viera.
Vi que estava em cena e não sabia o papel que os outros diziam logo, sem o saberem também. (...) Vi que tinha nas mãos a mensagem que entregar, e quando lhes disse que o papel estava branco, riram-se de mim. E ainda não sei se riram porque todos os papéis estão brancos, ou porque todas as mensagens se advinham.
Por fim sentei-me na pedra da encruzilhada como à lareira que me faltou. E comecei, a sós comigo, a fazer barcos de papel com a mentira que me haviam dado. Ninguém me quis acreditar, nem por mentiroso, e não tinha lago com que provasse a minha verdade.»
Bernardo Soares (Livro do Desassossego)
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