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quarta-feira, abril 13, 2011

O mundo dos homens

Capítulo 1

Infância


Lembro-me” (embora acredite mais que “fazem-me lembrar” de tantas vezes que me disseram e contaram histórias da minha infância) que desde bem pequena gostava de fazer as coisas ao jeito dos meninos. Quer dizer, há já uma fase que aí sim lembro-me bem, era uma autêntica “maria-rapaz”!

Passava os dias de férias na rua, a correr, jogar à bola, bolas de gude (berlindes ou bilhas em português de Portugal), futebol de botão, volleyball, etc.. Voltar para casa toda suja por andar brincar de pique-esconde onde os meus esconderijos predilectos era a trepar muros e enfiar-me debaixo dos carros estacionados na rua.
Quando foi a fase dos patins, ui! Calçava-os de manhã depois do café-da-manhã e só os descalçava à noite antes de tomar banho e ir jantar (o que deveriam de ser +/- uma 9 a 10 horas diárias com os patins nos pés!); isto se a minha mãe não estava em casa, a trabalhar, porque quando estava também de férias obrigava-me a tirar os patins para almoçar e não lhe riscar o chão todo. (Ah! O tempo de férias da minha mãe também deixa saudades, mas fica para outro post…)

Entre os meus amigos incluíam-se alguns dos amigos do meu irmão, mais velho que eu 7 anos; era com eles que ia na maioria das vezes à praia, onde eu desempenhava a função de… mascote; a tomar conta das toalhas enquanto iam a banhos, que diga-se era quase todo o tempo em que estávamos na praia, eles estavam na água. De vez em quando lá aparecia o meu irmão ou algum deles que por qualquer motivo lembravam-se da “guria a estorricar na toalha sob o sol de 450“ (ou mais como em qualquer praia da bela Cidade Maravilhosa!) e lá deixavam-me ir 5 minutos ao mar, eu quase já com alucinações de tantas horas ao calor sem poder abandonar as toalhas e pertences para ir refrescar-me…

Pensando bem não sei que raio poderia fazer caso algum marginal aparecesse para assaltar o “nosso acampamento”; e era mesmo eu, enfezadinha como era (a minha alcunha era "Olívia Palito" a namorada do Popey), que o iria defender!!! Como se desse um rodopio e me transformasse numa "Mulher Maravilha" cujo laço prendia os bandidos! Sim devia ser isso!

Oh!!, mas se me chateavam, brigava como os rapazes, ao soco, pontapé e de irmos ao chão a esmurrarmo-nos… Infelizmente algo que tive de deixar de fazer quando comecei, para minha grande infelicidade, a ganhar "maminhas" (crescerem-me os seios).


(tem continuação...)


domingo, maio 02, 2010

Caleidoscópio


"Sopra vento, gira tempo...
num sussurro,
imemoriais tesouros:
Anel de lata,
da boneca, o vermelho laço
do bombom, a prata.
Rebola o novelo, brinca o alegre gatinho
leva a bola aos entusiásticos meninos.

Sopra vento, gira tempo...

volve o colorido carrossel,
faz voar o pincel...
rabisca o colorido lápis, casa, árvore, sol, nuvem, gaivota, céu…
Alça as saias das meninas
as entoadas cirandas
de mãos dadas volteando
Soltavam a pragana.

Sopra vento, gira tempo...

acorda Quixote, o moinho volteia
espiga alta ao sol dourada
de pau, o veloz corcel galopa
Dulcineia te espera ao fundo de uma eira.

Sopra vento, gira tempo...

Volve o sonho do menino só
põe a venda, tacteia
triste quer que o pai lhe “compre um amigo”…
"Do baile a Senhora é dona"
véu de velado rosto
vestido escuro de muitos folhos
olhar de pálido desgosto…

Sopra vento, gira tempo...

Cascata gelada de límpida água
arrepiava a pele
dos imberbes corpos.
Na planície verde
calma pastava a ruminante vaca,
no ar de laranjeira em flor
esvoaçava o pequenino pássaro
absorvendo precioso néctar com fervor.

Sopra vento, gira tempo...

Onda salgada
de areia banhada...
balde, chapéu, bikini
um azul baunilhado céu
numa praia longe daqui.

Sopra vento, gira tempo...
Solta o laço
desfaz as tranças
sincero era o sorriso, puro era o abraço
Na amizade de crianças."